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Residências podem ter Selo de Qualidade.

As pessoas que acabaram ficando mais tempo em casa por causa da pandemia de covid-19, passaram a ter uma nova perspectiva sobre o “viver e morar com qualidade de vida”.

E isso deve dar um impulso a mudanças, mesmo que pontuais, que podem deixar as residências mais sustentáveis.

Pensando nesse contexto, O Green Building Council Brasil (GBC), criou a certificação de interior residencial, programa que dá um “selo de qualidade” para moradias que têm estrutura, móveis e equipamentos sustentáveis.

A entidade representa o World GBC no País, ONG composta por cerca de 70 núcleos em todo o mundo.

À frente da organização especializada em construção civil sustentável, que atua em todas as fases de elaboração de uma edificação, o presidente do Conselho, Raul Penteado, acredita que pequenas ações em casa ou no local de trabalho, como trocar uma torneira que pinga, desperdiçando água, ou uma lâmpada que consome muita energia, podem reduzir o impacto ambiental. “Incentivamos as pessoas a terem consciência de que esses projetos são benéficos para elas e para todos. A sua felicidade e a sua qualidade de vida estão diretamente ligadas a quem está ao seu lado”, disse.

A atuação do GBC começou focada no mundo corporativo, com certificação para construções que priorizam a economia de materiais e o menor consumo de energia. Em seguida, a organização ampliou a certificação para condomínios. Desde 2019, os conceitos sustentáveis do GBC também chegaram ao poder público. A entidade tem uma certificação de Zero Energy, no qual prédios do Estado (SP), passam por uma reformulação para se tornarem autossuficientes em energia.

O projeto mais recente nas certificações é o para interior residencial – uma inovação brasileira. Com menos de um ano na presidência do Conselho do GBC – antes esteve à frente da Deca (fabricante de louças e metais sanitários), Penteado explicou que a pandemia levantou a discussão sobre moradias ao trazer o lockdown e o home office à tona. “Começamos a discutir uma forma de agregar qualidade de vida e sustentabilidade em cima dos conceitos de saúde, conforto e bem-estar. Vimos que precisávamos fazer alguma coisa que fosse simples e não dispendiosa”, explicou. De acordo com ele, o lançamento do programa deve ser feito ao longo do mês de fevereiro.

Como funcionará a certificação residencial
A certificação LIFE vai analisar seis categorias, envolvendo saúde e bem-estar, conforto, qualidade interna do ar, responsabilidade social e consumo consciente, uso eficiente de recursos naturais e materiais utilizados, tudo de uma forma “relativamente simples”. “Não é preciso quebrar o apartamento inteiro, trocar a tubulação… O exemplo que eu dou é: você vai trocar seu aparelho de ar condicionado, sua geladeira, por um aparelho novo que gaste menos eletricidade, ou trocar a torneira ou o chuveiro por um que consome menos água”, explicou o presidente.

Segundo ele, são aplicações de ideias como essas que a entidade quer incentivar, respeitando o mínimo de requisitos. “O projeto de certificação de um apartamento de 150 m² vai custar cerca de R$ 1 mil. É um valor simbólico, destinado ao GBC, para incentivar e cobrir o custo da certificação, para manter a estrutura do GBC e acompanhar o trabalho”, disse Penteado. Quanto será gasto na troca de móveis e aparelhos dependerá do proprietário.

Parceria com arquitetos
A certificação da residência ficará a cargo do Arquiteto responsável pela construção ou escolhido pelo dono do imóvel. O profissional vai apontar se os requisitos exigidos pelo GBC foram realizados, preencher um relatório e juntar fotos. Após a entrega das informações pelo arquiteto, o GBC vai emitir um certificado, “quase como se fosse um diploma para o proprietário”.

Penteado destacou que o princípio do programa é que o Arquiteto entenda que isso vai gerar valor para o cliente dele, seja na forma de morar melhor, gastando menos com luz e água, ou na qualidade de vida. “E ele, como profissional, ganha o respeito do cliente, por estar fazendo algo bom para a sociedade como um todo”, explicou.

As edificações que buscam essa autossuficiência precisam igualar a quantidade de energia que consomem com a que produzem, por meio de fontes renováveis, durante 12 meses corridos. Em geral, essas fontes são painéis fotovoltaicos nas coberturas das edificações, produzindo energia solar.

Sobre o futuro pós-pandemia, o diretor-geral do GBC destacou que, inevitavelmente, o ramo da construção civil depende do desenrolar da economia e que está otimista com os próximos anos. Acredita que os conceitos de Green Building estão muito engajados com esse novo momento.


Créditos

Este Artigo foi produzido, tendo como referência a matéria publicada no Estadão – Residências podem ter ‘Selo de Qualidade’ se adotarem conceito sustentável, de autoria da repórter Marina Aragão.

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